Da série "O longo caminho para a Transilvânia"
Não estou particularmente feliz hoje. Também não estou particularmente triste. Esse limbo é que incomoda.
Noite vazia (nome de um bom filme do Walter Hugo Khouri), noite sem sal. Fui ao cinema rever Batman Begins. Fazia tempo que eu não ia ao cinema ver um filme duas vezes. (A última vez foi com O Retorno do Rei, e eu fui três vezes).
Continuo escrevendo mal e porcamente. Ainda acho que estou enferrujando, perdendo o fio de corte. Preciso manter-me afiado, é o que me protege, me garante um pouco de vida neste longo deserto que atravesso.
Observo os outros: parecem tão felizes em seu arrastar de correntes, nos sorrisos que dão uns aos outros. Não imagino sobre o que conversam, nem quero imaginar. Mas os casais são particularmente intrigantes. Lá vêm eles, andando de mãos dadas, e parecem felizes. Acendo um cigarro antes de ir embora. Eles passam por mim, parecem vir de todos os lugares, dos corredores, das escadas rolantes, do teto, do subsolo. Continuo fumando e pensando que preciso largar o cigarro, preciso fazer alguns exercícios (alô, Lady!).
Chego em casa e ligo o computador. As mesmas notícias de sempre, mensalão, denúncias, governo diz isto, oposição diz aquilo. Saio dos sites de notícias com aquele enfado de quem já viu tudo isto antes.
Dou uma passadinha no Apolyton. Legal, é como uma segunda casa pra mim. Percebo que recebi uma mensagem pessoal. É do Aroeira, o cartunista - ele desenha charges para o jornal O Dia. Descobri há algum tempo que ele também gosta de Civilization e freqüenta o site. A mensagem é sobre a surra que o Brasil deu na Argentina na final da Copa das Confederações. Acho que ele queria dividir isso com alguém do Apolyton, e como eu sou um dos poucos brasileiros que postam com freqüência, devo ter sido escolhido por essa razão.
Agora são 22h33min. A noite é amena, ainda que o ventilador ligado às minhas costas denuncie o quanto eu sou calorento. Daqui a pouco vou fumar um último cigarro, fechar as cortinas, tomar um copo d'água e dormir um sono sem sustos. Parece banal, eu sei. É banal. Onde está o grande poema que eu não escrevi, a paixão desmantelada que eu não vivi, o sangue vivo que deveria correr em minhas veias? Acho que, como eu, irão tomar um copo d'água, fechar as cortinas, deitar e dormir. Ah, e ligar o despertador. Isso é importante. Principalmente com as cortinas fechadas.
Noite de estrelas apagadas, dia de sol causticante. Deserto.
(Obrigado pela mensagem, Aro. Sim, é muito bom ganhar de goleada da Argentina.)
Escrito por Alexandre às 21h50
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Batman Begins
Ok. Assisti ao filme novo do Batman. Isso foi há quase uma semana, e eu devia ter postado aqui antes sobre o filme, mas antes tarde do que nunca.
Resumo rápido: se você gosta do personagem, levante a bunda da cadeira e vá correndo ao cinema. É o melhor filme do Batman que já foi feito.
Agora com mais calma: Batman Begins foge de qualquer rótulo tradicional de filmes de super-heróis. Esqueça a ação frenética, os personagens de papelão, as tentativas de fazer humor que sempre soam deslocadas. Este filme do diretor Christopher Nolan (que já comandou biscoitos finos como Amnésia) é sobre duas coisas: medo e vingança. O medo que Bruce Wayne sente quando seus pais são brutalmente assassinados diante dele, ainda criança (numa cena propositalmente desglamourizada, quase banal) e a vontade de se vingar de tudo e de todos que toma conta do personagem enquanto ele busca treinar para combater o crime.
Batman está com raiva, e essa raiva escorre pela tela em cada confronto do herói com os vilões. Poucas vezes eu vi o lado sombrio de um herói tão bem retratado no cinema. Batman se move nas sombras, é um sujeito de poucas palavras, disposto a varrer a bandidagem das ruas da cidade que ele acredita que pode melhorar. Aliás, que cidade. Gotham não é um cenário de mentirinha, cheio de prédios imaginativos mas fictícios. Quando a câmera flagra o Batman no topo de um edifício, imóvel como uma gárgula, olhando a cidade lá embaixo, sentimos que Gotham City é uma metrópole realista como outra qualquer.
Claro que existem cenas de ação, algumas espetaculares, como aquela em que a polícia persegue o Batmóvel pelas ruas de Gotham, mas a ação nunca parece estar lá só pra completar o orçamento dos efeitos especiais. (Aliás, o filme usa pouquíssimo CGI pra criar as cenas de ação, o que confere a tudo um tom ainda mais realista).
Christian Bale é perfeito como Bruce Wayne. Ele tem no olhar toda a raiva e o desejo de vingança do Batman. Impossível não se impressionar quando ele pendura um bandido pelos pés no alto de um prédio e rosna entre dentes: "Eu pareço estar brincando?".
Michael Caine é a escolha perfeita para o mordomo Alfred. Consegue passar toda a dedicação que o velho serviçal tem em relação à família Wayne e ao jovem Bruce. E sem parecer afetado. Suas tiradas sardônicas não soam como meros chistes pra divertir a platéia.
Outra escolha acertada foi a de Gary Oldman pra ser o Tenente Gordon. (Sim, tenente, porque como o filme conta a história do surgimento do herói, Gordon ainda era um mero tenente da corrupta polícia de Gotham - um cara honesto no meio de um lamaçal).
Mas o mais importante é que o filme, ao contrário dos anteriores, não é focado nos vilões. O que importa em Batman Begins, o motor do filme e da narrativa, é o Batman - e o Morcegão sempre foi um personagem muito bom para ser eclipsado por vilões mais ou menos caricatos. Finalmente um filme lhe fez justiça.
Claro que há alguns defeitos. A primeira parte, em que acompanhamos o treinamento de Bruce Wayne - com algumas interessantes idas e vindas no tempo - tem uns diálogos à la Paulo Coelho que são meio idiotas. E o envolvimento romântico de Bruce com a personagem de Katie Holmes soa meio forçado, como se o roteirista tivesse sido obrigado a incluir isso na trama porque, afinal, mulheres também pagam ingresso.
Mas mesmo essas pequenas falhas não tiram o brilho de um filme que, se não fosse pelo fato do protagonista usar uma roupa de morcego, poderia perfeitamente ser um policial noir. Sombrio e realista como o Batman, que sempre foi o mais real dos super-heróis.

Esse cartaz é sensacional. O filme também.
Escrito por Alexandre às 00h40
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Gripe, rock'n'roll e um pouco de poesia
Estou gripado novamente. Tinha acabado de sair de uma gripe monstra e já caio noutra. Deve ser falta de vitamina C. Vida de solteiro é assim, só se come porcaria e nada de frutas ou coisas saudáveis. O que mais me incomoda é que amanhã tem show da Dago Red e eu não queria perder. Mas acho que estarei melhor.
Hoje, finalmente, depois de mais quatro meses sem escrever, consegui rabiscar outro poema. Não ficou lá grande coisa, como o outro, mas fiquei tão contente por tê-lo escrito que vou quebrar uma regra do meu blog e colocá-lo aqui. Prometo que não faço isso de novo. Com a devida vênia dos leitores, lá vai:
NOSFERATU
o sangue aproximado o olhar seco um minuto de noite pelas veias o lábaro que ostentas estrelado enrolado em sua própria imperfeição deitado em meio às luzes - velhos verbos a conjugar dos perdedores o estigma sou o último dos deuses que se deitam quando a noite é violada pelo dia e a carnificina da alvorada mata estrelas como um nazista ensandecido sonho um sono de paredes mortas onde não despertarei para a libido e espero mudo o desenrolar do sol na aproximação do sangue envelhecido que rejuvenescerá no círculo das trevas
Escrito por Alexandre às 21h28
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Corrida? Tem certeza?
Acompanho a Fórmula 1 há muitos anos, desde o tempo em que Piquet foi campeão. Vi as vitórias de Senna, o duelo Senna-Prost - um dos mais emocionantes da história desse esporte -, a morte de Senna e o surgimento de Schumacher, as vitórias seguidas do alemão e da equipe de Maranello (que muita gente diz que tornaram a categoria desinteressante) e a decadência da Ferrari neste ano.
Mas nunca vi nada igual ao que acontece este domingo em Indianapolis, no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Nunca vi uma situação tão patética e ridícula na história da Fórmula 1.
Nos treinos livres de sexta-feira, dois pneus no carro de Ricardo Zonta, piloto de testes da Toyota, estouraram. Na mesma sexta-feira, por causa de outro pneu estourado, Ralf Schumacher - titular da Toyota - sofreu um acidente no mesmo ponto em que bateu na corrida do ano passado. Os médicos recomendaram que ele não participasse da corrida. A Toyota corre com pneus Michelin.
Foi o bastante para que a fabricante francesa recomendasse às equipes que não corressem no domingo, alegando razões de segurança. Mandaram trazer um novo lote de pneus da fábrica, mas a FIA impediu que eles fossem usados pelas equipes, alegando que isso infringiria o regulamento. A corrida ficou sob ameaça, ninguém sabia se ela seria realizada, uma vez que apenas três equipes - seis carros, portanto - correm com pneus Bridgestone e o regulamento prevê que é necessário um mínimo de 12 carros no grid para começar uma corrida.
Muito bate-boca, muita confusão, e todos os carros alinharam no grid para a corrida. No final da volta de apresentação, todos os carros com pneus Michelin entraram para os boxes e foram recolhidos pelas equipes. Resultado: uma inacreditável largada com apenas seis carros no grid. Duas Ferraris, duas Jordans e duas Minardis - e a maior vergonha da história dos campeonatos de Fórmula 1.
O público, revoltado, explodiu em vaias e gestos de protesto. Até garrafas e latas foram atiradas na pista.
Neste momento, a corrida - se é que se pode chamar isso de corrida - acabou há poucos minutos, com a vitória de Michael Schumacher, Barrichello em segundo e Tiago Vagaroso Monteiro (esse é o nome completo dele), da Jordan, em terceiro. Sinceramente, não faz diferença. O que eu sei é que a credibilidade da Fórmula 1 como esporte ficou seriamente prejudicada depois dessa situação triste e ridícula de uma corrida com seis carros na largada, dos quais apenas dois são realmente competitivos. E os dois da mesma equipe.
Reginaldo Leme, comentarista das transmissões de F1, levantou uma dúvida pertinente: será que a recomendação da Michelin para as equipes não correrem foi realmente por razões de segurança ou foi por uma questão de inferioridade técnica? A empresa diz que seus pneus não agüentariam dez voltas em ritmo de corrida. Fica claro que a Michelin errou na fabricação dos pneus para o circuito de Indianapolis, e errou feio. Mas só os pneus dos carros da Toyota estouraram. As outras equipes não tiveram esse problema, embora, verdade seja dita, tenha sido constatado um desgaste anormal e excessivo dos pneus depois de poucas voltas. A Michelin tem tido problemas de desgaste dos pneus no final das corridas desde que entrou em vigor a regra que proíbe a troca de pneus durante a prova.
Discussões à parte, o fato é que o GP dos EUA de 2005 entra para a história como um dos momentos mais ridículos da história do esporte a motor.
Escrito por Alexandre às 15h44
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Morte à Rede Grobo
Estou absolutamente puto. Puto puto puto. Acabei de descobrir que a Rede Grobo só vai transmitir os primeiros 45 minutos do GP dos EUA, neste domingo (19 junho).
Tudo isto porque às 15h45min começa o importantíssimo (notem a ironia) jogo do Brasil contra o México pela Copa das Confederações (copa do quê?).
Francamente, deixar de ver uma corrida que promete ser uma das mais interessantes do ano pra ouvir Galvão Bueno gritando feito uma porca no cio enquanto a selecinha joga uma partida que não vale nada por uma competição que não vale nada... é um pesadelo tornado realidade.
É isso que dá termos um monopólio televisivo.
Escrito por Alexandre às 16h16
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Mais corrente... que vai parar aqui
Eis mais uma corrente - não daquelas chatas - que a Keka me passou. Então vamos a ela:
a) Quantos gigabytes usados com música: Gigabytes? Eu tenho só humildes 428 megabytes. Não tenho muito espaço em disco, então o que eu vou baixando eu vou passando pra CD. E eu não tenho saco de ficar esperando 3 dias pra baixar um disco. E não gosto de deixar meu computador ligado fazendo isso enquanto eu durmo. E... ok, já deu pra entender.
b) Último CD que comprei: no mesmo dia: The Great Escape do Blur e Pressure Chief do Cake.
c) Música tocando no momento: End of the Line, do Roxy Music - música muuuuito bonita que me traz ótimas lembranças - e uma ponta de tristeza também.
d) Cinco músicas que tenho escutado bastante:
Island in the Sun - Weezer Crown of Love - The Arcade Fire Seven Nation Army - White Stripes I'll Be There For You - The Rembrandts (eu sei, eu sei... mas é o tema de Friends, que posso fazer?) Bittersweet Bundle of Misery - Graham Coxon
e) Pra quem vou passar a batata quente:
Pra ninguém, esta corrente morre aqui mesmo. Mas se alguém ler o texto e quiser continuar em seu blog... 
Escrito por Alexandre às 17h31
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Momento pânico instantâneo
I am human and I need to be loved just like everybody else does
- Smiths, "How Soon Is Now?"
Escrito por Alexandre às 09h29
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Dia do$ Namorado$
Lá vem o dia dos namorados. De novo. Como estou bem pouco criativo hoje, resolvi reciclar aqui um texto que fiz nesta mesma data no ano passado. O mais triste é constatar que nada mudou. Acho que ninguém leu o texto original, já que na época eu tinha, com sorte, um leitor. Como hoje em dia eu tenho pelo menos três, eis o texto:
Pois é, hoje é aquele dia. Aquele dia em que todo mundo olha ao redor e o planeta se divide entre os felizes e sortudos que têm namorado(a) e os pobres infelizes, desgraçados, amaldiçoados e escória da raça humana, os que não têm namorado(a).
Claro, esta data nem ao menos tem uma origem, digamos, tradicional ou nobre, como a comemoração do martírio das freiras cegas da Patagônia ou o dia em que o proletariado foi massacrado pela classe dominante. O dia dos namorados foi inventado pra levantar as vendas do comércio, que tradicionalmente chegam ao meio do ano em ritmo devagar quase parando.
Daí porque dar presentes neste dia virou uma espécie de obrigação social, pelo menos pra quem está namorando. (Há os que presenteiam na esperança de arrumar um par, mas isto é outra história). E ai de você se não presentear a namorada(o). Torna-se uma espécie de pária da sociedade; as pessoas murmuram pelos cantos, quando você passa: "olha só, é o monstro que não deu presente pra namorada(o)". "Acho que deve ser doido ou então tem pacto com o Coisa-Ruim".
Dia dos namorados é o pior dia pra se resolver sair e jantar fora, porque todos os restaurantes, pizzarias, botecos e carrinhos de cachorro-quente são inundados por milhares, milhões de casaizinhos mortos de felizes e que vão passar a noite inteira dando comidinha na boca um do outro e trocando aqueles olhares lânguidos. Depois de se empanturrarem, eles vão, ordenadamente, fazer longas filas na porta dos motéis, o que deve ser um inferno para as arrumadeiras dos quartos: "Rápido, que tem um cliente entrando na garagem." "Mas eu ainda nem troquei os lençóis!".
Claro, ainda tem os comerciais de TV, que invariavelmente apresentam as seguintes situações: um casal que brigou mas se reconcilia quando um deles presenteia o outro (e o presenteado abre aquele sorriso artificial de creme dental); um casal que se beija debaixo de chuva (clássico); o rapaz ou a moça escolhe um presente para seu par enquanto ao fundo toca uma musiquinha melosa e o narrador, com aquela voz de travesseiro, lê um apaixonado texto que sempre diz coisas como "encontrei em você o significado da palavra amor" e "nosso amor tem um brilho especial" - claro, o comercial termina com o casal se encontrando e trocando um abraço com mais sorrisos de creme dental.
E no ano seguinte tudo se repete. E tilintam as caixas registradoras. Amor e dividendos.
Escrito por Alexandre às 09h27
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Mais um da série Quadrinhos Geniais

(O autor desta, assim como da outra - aquela do Sol e da Terra apaixonados - se chama Nicholas Gurewitch e os quadrinhos fazem parte da série "The Perry Bible Fellowship", que ele publica semanalmente e podem ser vistos aqui: http://cheston.com/pbf/archive.html . Eu não ia entregar o ouro assim tão fácil, mas eu queria dar crédito ao autor, e em tempos de Google não dá mais pra manter nada em segredo mesmo... pelo menos não na internet.)
Escrito por Alexandre às 14h45
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A banda que os descolados odeiam
Virou moda falar mal do Coldplay. Quando a banda surgiu, houve quem enxergasse neles uma cópia diluída do Radiohead, mas em geral o primeiro disco foi elogiado: falavam bem das músicas bonitas, da boa voz de Chris Martin, do senso melódico e por aí vai.
Algum tempo e alguns milhões de cópias vendidas depois, os descoladinhos começaram a meter o pau na banda. "Rock bundão, sem garra", "Chris Martin é um chato" e por aí vai.
Parece que a lógica é a seguinte: se faz sucesso, é uma merda. Enquanto ninguém conhece, é genial.
Eu mesmo não entendo esta lógica besta. Gostei do primeiro disco deles, e gostei mais ainda do segundo. E daí que eles fazem um rock melódico com baladas de refrões ganchudos? Tem espaço pra todo mundo no rock.
Quando perguntado sobre quando o Coldplay iria sair em turnê novamente, Martin deu uma boa resposta: "nem sei se vale a pena, não conheço mais ninguém que goste da gente". Infelizmente, a lógica dos descoladinhos é perversa e enterra sob uma avalanche de críticas tudo o que antes era "legal" e "cool".
Eu tô pouco me lixando pra os descoladinhos. Gosto de Coldplay sim. Ainda não ouvi o disco novo, mas se tiver músicas tão boas quanto o segundo disco deles, estarei na fila pra comprar.
Imagina o desespero dos descoladinhos no dia em que aquela banda desconhecida da Lituânia, que eles adoram e ninguém nunca ouviu falar, começar a tocar em rádio. Acho que vão cortar os pulsos de ódio. (Porque, sabe, cortar os pulsos é cool).
Tem coisas que nunca tocaram e nunca vão tocar em rádio, como o Velvet Underground. Mas essa não é a razão pela qual eu gosto deles. Gosto porque fizeram boas músicas e dois discos matadores (o da banana e o White Light White Heat). Continuaria gostando mesmo que de repente "Femme Fatale" virasse trilha de comercial e entrasse numa novela da Globo (o horror, o horror!).
Escrito por Alexandre às 18h54
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Dia soturno
Engraçado, tem dias em que eu acordo meio soturno. Hoje é um desses dias. Agora há pouco, voltando pra casa depois do almoço, eis que começa a tocar no som do carro "Island in the Sun", do Weezer, uma música que sempre me deixa feliz. E hoje nada. Fiquei ali, cantarolando a música distraidamente, enquanto a mente vagava por lugares desconhecidos.
Acordar de mau humor é uma das minhas especialidades. Não imagino como é que um ser humano pode acordar assobiando uma música. Eu preciso de pelo menos meia hora pra ter a possibilidade de dizer um "bom dia" a alguém. Antes disso, não olhem pra mim.
Escrito por Alexandre às 12h48
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